Peru: a viagem do casal Lili Carneiro e Fernando Serena

Roteiro:

Uma das grande preciosidades de escrever sobre viagem, é poder falar sobre o mesmo destino sob diferentes pontos de vista. O Just Married procura trazer experiências reais para compartilhar com nossos noivos. O Peru é um destino super em ascensão, cada vez mais desejado por muitos turistas. Hoje, v compartilhamos com vocês uma romântica viagem da editora da Revista Carbono, Lili Carneiro, e seu marido, Fernando Serena. Confira abaixo o relato da it girl com as melhores dicas do que fazer, onde se hospedar e onde comer.


Sempre quis conhecer o Peru, mas o destino nunca figurou em primeiro lugar na minha lista de “viagens a fazer”. Quando estava quase chegando ao topo, perdeu a vez para destinos mais exóticos como Camboja, Marrocos, Vietnã, Jamaica; para tradicionais como Paris, Londres, Nova York; e para os deslumbrantes, os de compras, os culturais, os de aventura… Pobre Peru! Foi jogado de escanteio sem ter tido a chance de tentar exercer seu fascínio. Finalmente, este ano, decidi conhecer o país sul-americano e, a seguinte pergunta não saía da minha cabeça: “Por que demorei tanto?!”. O Peru é obrigatório.

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LIMA

Toda e qualquer viagem para o Peru partindo do Brasil começa por Lima. O governo ainda não liberou voos diretos saindo daqui para nenhuma outra cidade de lá. Isso porque, obviamente, se a parada não fosse imposta, poucos turistas passariam pela capital.

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É bem verdade que a culinária local é uma das melhores do mundo. O renomado chef peruano Gastón Acurio tem dezenas de estabelecimentos espalhados pela metrópole, como Astrid y Gastón, La Mar, Tanta e Panchita, e só isso já seria suficiente para fazer de Lima um magnético polo gastronômico. Mas por lá há ainda muitos outros endereços imperdíveis, como o Osso, para carnes inesquecíveis preparadas pelo chef e açougueiro Renzo Garibaldi, o premiado Central, e o turístico, porém interessantíssimo, Huaca Pucllana, em meio a ruínas arqueológicas datadas de 200 a.C..

Lima é absurdamente árida. Apesar de a umidade relativa do ar beirar 95%, o mar é tão gelado que não deixa que a chuva caia – não existem nem bueiros na cidade, para desespero dos moradores que têm que conviver de quatro a seis meses por ano com neblina constante, de não dar nem para ver o sol!

Em Miraflores, San Isidro e Barranco, os melhores bairros de lá, há muitos parques e áreas verdes, todos regados artificialmente à exaustão para que sobrevivam (existe até uma competição entre as prefeituras de cada distrito pelos jardins mais bonitos e verdejantes), e que fazem dessas regiões as mais nobres e simpáticas da zona urbana de Lima. Miraflores para se hospedar, San Isidro para ver as mansões locais e Barranco para passear. Neste último, vá ao Museo Mario Testino, à loja de décor Dédalo e à hypada galeria de arte Lucía de la Puente.

O centro histórico, o maior da América do Sul, também vale uma visita. Bem europeu, com casarões, museus, palácios, ruelas e igrejas, resquícios óbvios da colonização espanhola, finda em 1821, tem até troca de guarda todos os dias, às 11h45, no Palácio do Governo. Comece o tour pela Plaza de Armas, ou Plaza Mayor, que oferece um bom panorama colonial peruano, com a bela Catedral de Lima e o Palácio Arquiepiscopal. De lá, siga para o complexo arquitetônico Basílica Menor e Convento de São Francisco o Grande e explore suas catacumbas, convento e biblioteca. Depois, rume para o ótimo Museu Arqueológico Rafael Larco Herrera e almoce por lá, no agradável Larco Café, com menu by Acurio.

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VALE SAGRADO DOS INCAS

Para ir de Lima a Cusco, existem diversos voos. Vá nos primeiros, de manhãzinha, para sobrevoar a Cordilheira do Andes com o nascer do sol. É lindo. A sugestão de roteiro é desembarcar em Cusco e seguir direto para o Vale Sagrados dos Incas (1h30 de carro), região de rios, montanhas e sítios arqueológicos – muitos deles. A altitude de 2.800 metros é mais adequada para fazer aclimatação antes de seguir para Cusco, cuja altitude chega a 3.400 metros. O mal de altura, chamado soroche, não é brincadeira. Muita gente sente a falta de ar e chega a desmaiar. Portanto, se tiver tempo para uma adaptação, não descarte.

No Vale Sagrado, a pedida é contemplar. Hospede-se no charmoso Belmond Rio Sagrado, à beira do rio, com lhamas pastando nos jardins. Bucólico!

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Os passeios se resumem às visitas aos sítios arqueológicos construídos pelos incas (vá antes de Machu Picchu para não se decepcionar). Os principais são Ollantaytambo, um dos mais surpreendentes de lá em razão do uso espantoso de conhecimentos em arquitetura, astrologia e geografia – tudo isso para um povo que sequer conhecia a escrita;

Písac, ao lado do povoado homônimo, que oferece um riquíssimo mercado de artesanato (o que vale a pena são as echarpes feitas de lã de alpaca);

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Moray, um imenso anfiteatro tomado de terraços construídos para agricultura; e Chinchero, cidade conhecida como “o berço do arco-íris” (a localização mais alta de toda a viagem, com 3.762 metros de altitude), com linda vista para a Cordilheira de Vilcabamba e morros nevados ao fundo, que, estranhamente, no verão, são mais nevados do que no inverno, já que as chuvas são mais escassas na estação gelada.

The gorgeous circular terraced bowl of Moray are thought to be an experimental agricultural nursery for the Incas, with different micro-climates allowing for different varieties of corn to be planted at deeper levels of the circular bowl.

Um ponto de parada obrigatório, onde se come maravilhosamente bem – aliás, no Peru todo se come maravilhosamente bem, do café da manhã ao chá com docinhos depois do jantar – é a charmosa Hacienda Huayoccari. Uma família espanhola dona de ter- ras peruanas se instalou nesse casarão e por lá viveu muitos anos, até que o governo os tomasse o terreno. Sobrou um morro em meio aos Andes em que o herdeiro inaugurou um restaurante. A casa ainda possui todas as obras de arte dos períodos pré-inca ao colo- nial, e a coleção supera a de muitos museus locais – talvez pelo fato de o governo ter proibido há alguns anos a venda desse tipo de artigo. Ficou tudo ali, intacto, encantando os visitantes.

MACHU PICCHU

Certamente o ponto alto da trip. Partindo do Vale Sagrado, há um trem que te pega dentro do Belmond – uma das paradas da estação é literalmente na porta do hotel. Opte pelo Vistado-me, trem com laterais e teto de vidro, que oferecem perspectivas deslum- brantes do território tomado pelos incas no século 15. Reserve bilhetes na fileira 1 A e garanta uma das mais impressionantes viagens de trem da sua vida. O local de desembarque, 2h30 depois, é a cidade de Águas Calientes – palco de muitas pousadas e hospedagens nada atraentes. O único hotel que vale a pena está lá no topo da montanha, ao lado do sítio arqueológico, e é o Belmond Sanctuary Lodge.

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Em Águas Calientes, são comprados os tickets para Machu Picchu (não esqueça do passaporte, indispensável na hora da compra) e para o ônibus que leva até “a citadel per- dida dos Incas”. Os ônibus saem de dez em dez minutos e, em meia hora, você chega lá em cima. A visão dos turistas abarrotados na entrada é frustrante, mas não desanime, porque o que é visto passando as catracas irá tirar o seu fôlego por muitos minutos. Uma cidade inteira construída a 2.430 metros de altura em um morro de dificílimo acesso em meio à floresta tropical em um cenário de beleza e enigma inacreditáveis. São paredes e muros gigantescos, rampas feitas de pedra com precisão absoluta, em que as rochas se encaixam quase que de maneira desumana. O complexo é grande, e a profusão de turistas não chega a incomodar ou roubar a paz energética que toma conta de corpo e alma uma vez que estamos lá dentro. As trilhas, até as mais puxadas, são factíveis, e as que mais valem a pena são Sun Gate, de duas horas de caminhada, e Huayna Picchu, de duas horas e meia. Contrate um guia. Pode até ser um dos que ficam na porta do parque angariando clientela. As histó- rias são lindas, interessantes e cheias de magia. E não se engane: por ali, nada de descanso. O sol nasce às 6 da manhã e assistir a esse espetáculo natural é um programa imperdível.

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CUSCO

A maneira mais bacana de se chegar a Cusco, partindo de Machu Picchu é a bordo do Hiram Bingham, trem de alto luxo da rede Belmond. Música ambiente e um elegante jantar com comida e vinhos excelentes – acredite, os peruanos são saborosos – fazem do passeio sobre trilhos uma experiência memorável.

Em Cusco há ruínas incas intrigantes, como o forte Sacsayhuaman, o anfiteatro e centro religioso Qenqo e os banhos Tambomachay, com seu cen- tro de proteção Puca Pucará. Da era colonial valem: Plaza de Armas, Santo Domingo & Qorikancha, o complexo de catedrais lindíssimas e uma gostosa pracinha com lojas e cafés.

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Onde comer?

Belmond Hiram Bingham – Uma jornada a bordo de um dos vagões-restaurantes mais chiques do mundo. Paisagens surreais, aulas de pisco sour e música ao vivo fazem parte do pacote.

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Central – Um dos restaurantes mais excitantes de Lima. Tem como doutrina o uso criativo dos ingredientes. Espere por itens como gelatina de wasabi e espuma de cerveja tailandesa.

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Cicciolina – Restaurante hit de Cusco, fica no segundo andar de um casarão colonial e oferece deliciosas harmoni-zações de tapas e vinhos. 

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Onde ficar?

Belmond Miraflores – Belmond, Belmond e Belmond. Não pense em outra rede hoteleira na hora de escolher onde ficar no Peru. Com cinco hotéis no país, oferece as melhores opções nos pontos mais visitados. O Miraflores, em Lima, é dos mais elegantes da capital.

Belmond Sanctuary Lodge – Único hotel vizinho à antiga cidadela inca de Machu Picchu, fica dentro de uma construção que servia de moradia para os trabalhadores locais. Muito conforto e boa comida.

Belmond Rio Sagrado – Um dos mais pitorescos hotéis do Peru, fincado entre os campos verdes e as imponentes montanhas do Vale Sagrado dos Incas.

Belmond Palacio Nazarenas – Localizado em uma praça tranquila de Cusco, o antigo palácio e convento é rodeado de muros de pedra do período inca e tem um spa fabuloso e excelentes restaurantes, que servem o melhor da culinária local.

Belmond Monasterio – Outra opção para se hospedar em Cusco é esse hotel inacreditavelmente lindo em um antigo monastério e monumento nacional de 1592. Vizinho do Belmond Nazarenas, é repleto de obras de arte e tem uma linda capela ao lado do pátio central.

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